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NOTÍCIAS E ATUALIZAÇÕES


Aprender inglês

Boa tarde a todos. Vocês querem falar como um americano?

Nesta nova seção, eu aplico o método ao inglês, ou, mais precisamente, ao General American.

31 de março de 2016



Como pronunciar

Oi galera, acabei de adicionar uma seção mostrando como pronunciar.

Ela inclui informações sobre a articulação das consoantes e técnicas mostrando como pronunciar as vogais.

21 de fevereiro de 2016

Como pronunciar - Uma abordagem fonética fácil

imagem como pronunciar

Nesta seção, ensinarei a você como pronunciar. Em outras palavras, depois de ter lido esta página, será capaz de pronunciar corretamente qualquer som em qualquer idioma sozinho.

Para fazer isso, primeiro, teremos uma visão geral da fonética e de como ela se aplica à pronúncia. Depois, o alfabeto fonético internacional (AFI) será apresentado. Ele será nossa principal ferramenta para aprender os sons de qualquer idioma.

Em seguida, usando o AFI, examinaremos os sons do idioma. Iniciaremos com as vogais. Durante esta parte, eu lhe ensinarei algumas técnicas que lhe permitirá aprender essas vogais que causam problemas para você.

Depois disso, veremos as consoantes. Eu lhe ensinarei os vários pontos e modos de articulação para que você se torne capaz de pronunciá-las.

No final, eu darei uma curta explicação sobre como ler e escrever os outros símbolos do AFI, que são importantes saber pois eles adicionam características aos sons dos idiomas tal como o acento tônico, os tons e a duração.

A fonética

A fonética gira em torno dos sons dos idiomas.

Vários sons da linguagem são produzidos por nosso aparelho fonador (que corresponde essencialmente à boca, garganta e pulmões).

Esses sons são consoantes, vogais, tons, entre outras coisas.

Podem ser manipulados de várias maneiras para produzir o que nos referimos como enunciado linguístico, que pode ser qualquer coisa, desde uma palavra isolada a uma frase.

Neste página, examinaremos principalmente as diferentes maneiras possíveis com que podemos usar nosso aparelho fonador para produzir diversas vogais e consoantes e a quais símbolos do alfabeto fonético internacional essas vogais e consoantes correspondem.

Para entender bem esta seção sobre a fonética, aconselho que você esteja familiarizado com o falar carioca, ou em outras palavra, o "sotaque" carioca.

A motivação por trás disso é que, a fim de explicar o alfabeto fonético internacional e a como ler uma transcrição, eu preciso fazer referência a palavras de um idioma em particular.

E como esta versão do site é escrita em português, presume-se que você entenda o português e o falar carioca é uma das variedades mais conhecidas, pelo menos, no Brasil.

O AFI

O alfabeto fonético internacional (o AFI) é um alfabeto universal, aplicável à maioria, se não todos os idiomas.

Sua função é representar, com o uso de caracteres escritos, os sons da linguagem, o mais exato possível.

Falaremos das vogais, das consoantes e, em seguida, dos outros símbolos que são comumente utilizados nas transcrições fonéticas.

Abaixo, uma tabela (a qual eu me referirei como Figura 1, em toda esta página) exibindo muitas dessas vogais, consoantes e outros símbolos. Embora esteja em inglês, explicarei as partes importantes dela em português ao longo desta página.

Dê uma rápida olhada:

Figura 1. AFI (Alfabeto fonético internacional) consoantes, articulação, vogais, acentos, tons (em inglês)

AFI (Alfabeto fonético internacional) consoantes, articulação, vogais, acentos, tons (em inglês)
Clique para ampliar

(origem: http://www.smashingmagazine.com/2010/06/22/the-beauty-of-typography-writing-systems-and-calligraphy-part-2/)

Como podem ver, há muitas letras dos alfabetos latino e grego, algumas menores do que outras, mas também há outros símbolos como linhas onduladas e retas (horizontais e verticais) e pontos.

Todos esses símbolos podem ser usados para escrever transcrições fonéticas.

Observe que, em transcrições fonéticas básicas, muitos destes outros símbolos não precisam ser usados.

Dito isso, contudo, alguns destes devem ser usados em transcrições básicas porque eles representam características como o acento lexical, a duração das vogais, os tons e a entonação, que podem ser muito importantes em alguns idiomas.

Como pronunciar as vogais

Vamos começar com as vogais. Para fazê-lo, olhe a imagem abaixo, que é uma tabela completa e atualizada das vogais do AFI:

Quadro de vogais completo do AFI

Por que você deve se importar com esta tabela de vogais?

Bem, porque a maioria dos idiomas do mundo são constituídos destas vogais. Então, se você estivar aprendendo um idioma, ou simplesmente tentando pronunciar seus sons corretamente, é provável que estas vogais em quais você tem dificuldades dominar estão situadas nesta tabela.

Assim, aqui está uma outra pergunta que poderia fazer a si mesmo:

Como saber quais vogais nesta tabela são relevantes para sua aprendizagem?

É compreensível que, talvez, você queira focar apenas nas vogais presentes no idioma-alvo. Mais tarde, eu explicarei como você pode encontrar transcrições de palavras no idioma-alvo para que você possa focar apenas nas suas vogais.

Todavia, a fim de ser capaz pronunciar corretamente estas vogais, é melhor proceder de modo metódico. Daqui a pouco, começarei a explicar algumas técnicas permitindo que você pronuncie qualquer destas vogais, mas antes de fazê-lo, você deve estar familiarizado com estes conceitos: grau de abertura e zona de articulação.

Depois de ter lido esta seção sobre as vogais, você saberá como encontrar quais vogais são relevantes para você e olhando a tabela e usando as técnicas que estou preste a explicar, você será capaz de aprender como pronunciá-las por conta própria.

Desenvolver uma tomada de consciência do grau de abertura e da zona de articulação

Como pode ver nesta tabela, as vogais são classificadas de acordo com seu grau de abertura (de Fechada até Aberta) e de acordo com sua zona de articulação (de Anterior até Posterior).

A fim de aprender a qual som vocálico cada um destes caracteres corresponde, desenvolveremos uma tomada de consciência do que representa o grau de abertura e faremos o mesmo para a zona de articulação.

Para desenvolver esta tomada de consciência, faremos uma lista de sons vocálicos diferentes cobrindo um ampla gama de graus de abertura. Conseguiremos isso encontrando palavras do falar carioca que possuem esses sons vocálicos.

Depois, pois nem todos os graus de abertura são encontrados no falar carioca, extrapolaremos com a ajuda de técnicas que vou lhe mostrar. Estas técnicas permitirão preencher as lacunas, a fim de ser capaz de pronunciar qualquer som vocálico em qualquer idioma.

Prosseguiremos de maneira similar para desenvolver uma tomada de consciência do que representa a zona de articulação.

Grau de abertura

Primeiro, vamos ter uma ideia do que é o grau de abertura.

Começaremos com o [i] no canto superior esquerdo do quadro de vogais (clique AQUI para vê-lo) e caminharemos para baixo. Saltaremos algumas vogais por razões de simplicidade.

À medida que vamos para baixo, as vogais se tornam cada vez mais abertas, tal como indicado no quadro de vogais.

O [i] é o som que é encontrado em palavras como estima e vida.

O segundo, [e], é encontrado em palavras como porque e você.

Depois, tem o som [ɛ], encontrado em palavras como pé e eco.

O próximo som, [æ], não está presente no falar carioca, ao meu conhecimento. Lhe mostrarei como você pode aprender a pronunciá-lo através de uma técnica mais tarde na página.

Finalmente, tem o [a] que possemos ouvir na pronúncia de palavras como árvore e sotaque.

Agora, vamos pronunciar só a vogal (em negrito) de cada palavra abaixo, uma após a outra, e esteja atento à sensação de abertura que acontecerá na sua boca assim que caminhar para baixo na lista:


vida
[i]

você
[e]

pé
[ɛ]

árvore
[a]


Ao lado de cada palavra, eu coloquei a transcrição fonética de cada vogal que você está pronunciando.

As vogais que você está pronunciando devem soar como no clipe de áudio ao lado de cada transcrição.

Leia as vogais várias vezes, de cima para baixo, a fim de se familiarizar com a sensação da sua boca se abrindo progressivamente quando você passa de uma vogal para outra.

Agora, olhe para o quadro de vogais, novamente, e perceberá que o som [æ], que não existe no falar carioca, se encontra na mesma linha que as outras vogais na lista que acabamos de fazer.

E se quisermos descobrir como pronunciar o [æ] ou qualquer outra vogal do quadro de vogais?

Felizmente, existe uma técnica que permitirá que isso seja feito.

Técnica para descobrir como pronunciar qualquer vogal do quadro de vogais

Olhando o quadro de vogais, pode ver que o som [æ] está situado entre [ɛ] (como na palavra pé) e [a] (como na palavra árvore):

Entre ɛ e a

Agora, como estamos tratando do grau de abertura das vogais, sabemos que quando passamos do [ɛ] ao [a], nossa boca se abre. O som [æ] se encontra no meio termo entre os dois.

Então, se quisermos pronunciá-lo, precisamos, de alguma forma, abrir nossa boca apenas a metade do que quando passamos de [ɛ] a [a].

Para isso, pronuncie a vogal na palavra pé ([ɛ]) e, depois disso, sem interromper o fluxo de ar, pronuncie a vogal na palavra árvore ([a]) e tente parar no meio do caminho entre as duas vogais.

Abaixo, tem um curto clipe de áudio meu, mostrando como encontrar este som [æ] que nos escapa. Observe que eu pronuncio o [ɛ] e o [a] algumas vezes para sentir em que medida a minha boca abre ao passar de uma vogal para outra. Depois disso, eu tento abri-la para metade e no final consigo produzir o [æ]:

No início, o uso desta técnica será limitado, porque conhecemos só as vogais do falar carioca (supondo que assim seja), mas à medida que desenvolvemos nossos sentidos na boca e aprendemos outras vogais, esta técnica poderá ser utilizada para descobrir como pronunciar quase qualquer vogal.

Eu disse "quase qualquer vogal" pois existem vogais nos idiomas que têm características especiais que não são representadas no quadro de vogais aqui, como a nasalidade e a roticidade, que podem ser importantes.

As características destas vogais são representadas pelos outros símbolos que podem ser visto na Figura 1 sob diacritics. Tem uma descrição curta dos diacríticos na última seção desta página.

Vogais arredondadas

Antes de passarmos à zona de articulação, aprenderemos rapidamente como pronunciar as vogais que estão do lado direito de cada par de vogais no quadro de vogais: as vogais arredondadas. Aqui estão:

Quadro de vogais arredondadas do AFI

Deveríamos já estar familiarizados com as vogais anteriores não-arredondadas [i], [e], [ɛ] e [a], então, pronunciaremos seus equivalentes arredondadas.

Tudo que precisamos fazer para pronunciá-las, é pronunciar as mesmas vogais que acabamos de pronunciar na lista acima, mas ao invés de pronunciar as vogais normalmente, arredonde seus lábios (nenhum outro ajuste) quando fizer isso.

Arredonde os lábios como faria para pronunciar a letra o. Deve soar parecido com isso:


[i]→[y]
🔊

[e]→[ø]
🔊

[ɛ]→[œ]
🔊

[a]→[ɶ]
🔊


E simplesmente assim, você está pronunciado as vogais arredondadas [y], [ø], [œ] e [ɶ].

Essas vogais anteriores arredondadas não se encontram no falar carioca, mas existem muitos idiomas que possuem algumas delas, pelo menos, como o francês, o alemão e o dinamarquês, só para citar alguns.

Você pode usar esta técnica para pronunciar qualquer vogal arredondada, começando por pronunciar seus equivalentes não-arredondados e, em seguida, arredondando os lábios, como é indicado nos clipes de áudio acima.

Zona de articulação

Bem, agora passemos à zona de articulação.

Prosseguiremos um pouco diferente para essas vogais, pois a gama de zonas de articulação possui poucas vogais, como você pode ver no quadro de vogais

Também, porque os princípios são os mesmos que para o grau de abertura, não entrarei muito em detalhes.

Abaixo têm três pares de palavras e, ao lado de cada par, eu coloquei a transcrição da vogal de cada palavra na par, respectivamente.

Mais uma vez, leia apenas a vogal de cada palavra, em negrito, uma par de cada vez. Seria melhor arredondar os lábios para cada vogal, mas não é necessário fazer isso para sentir a zona de articulação.


vida, chuva
[i] (anterior), [u] (posterior)

pê, colocar
[e] (anterior), [o] (posterior)

eco, vitória
[ɛ] (anterior), [ɔ] (posterior)


Perceba que quando você passa de uma vogal para outra no par, você sente que a sua língua se move desde a frente até a parte traseira e vice versa.

Mais algumas vezes, pronuncie as vogais de cada par, uma após a outra, e você perceberá como a zona de articulação da primeira vogal está muito mais na frente e que a da segunda vogal está muito mais na parte de trás.

A técnica que usamos mais cedo para descobrir como pronunciar vogais com as quais não estamos familiarizados pode também ser usada para descobrir como pronunciar estas vogais. Ela pode permitir-nos aprender como pronunciar, por exemplo, as vogais centrais [ʉ], [ɵ] e [ɞ].

Embora não seja tão fácil fazê-lo com essas vogais (pelo menos, no meu caso), é ainda possível.

Pronunciar as vogais no idioma-alvo

Neste estágio, você possui os conhecimentos e necessários para aprender como pronunciar vogais no idioma-alvo. Veja como você pode conseguir isso:

Se ainda não o tiver feito, comece a aumentar sua conscientização sobre a sensação da sua boca que abre e fecha e sobre sua língua que se move para frente ou para trás quando pronuncia algumas vogais.

Isso será o elemento chave para pronunciar, com precisão, vogais com as quais você tem dificuldade no idioma-alvo.

Em segundo lugar, encontre transcrições fonéticas corretas de palavras ou sequência de palavras em português ou em outro idioma, se o português não é o seu idioma materno.

O site Portal da Língua Portuguesa possui um dicionário de transcrições fonéticas que são corretas, ao meu conhecimento. Você pode até mudar a região do falar, na parte superior do dicionário. Tem outros dialetos do português também, se você fala algum outro dialeto.

Senão, o Wikipédia (em inglês), curiosamente, é uma fonte confiável de transcrições fonéticas. Pode clicar sobre as vogais individuais neste quadro de vogais.

Para cada vogal deste quadro, tem uma página contendo uma lista de transcrições em vários idiomas e dialetos. Transcrições fonéticas são escritas entre colchetes [ ]. Procure os idiomas e dialetos que você conhece e olhe suas transcrições.

Esteja você no Portal da Língua Portuguesa ou no Wikipédia, comece a associar a cada caractere fonético das transcrições o som fonético a que corresponde. Você pode fazer as vogais agora, mas, uma vez lido a parte sobre as consoantes nesta página, poderá fazer as consoantes também.

Aprender essas vogais deveria ser uma tarefa fácil, pois você já sabe como elas soam.

Aprendendo a qual som vocálico estes caracteres estão associados, estará construindo a base que você precisará para pronunciar outras vogais.

Claro que o próximo passo é de encontrar transcrições fonéticas corretas de palavras ou sequência de palavras no idioma-alvo.

Assim, destas transcrições, será capaz de ver quais vogais estão presentes neste idioma e quais as suas posições no quadro de vogais, se você não as conhece.

Por fim, com ajuda da base que terá construído, poderá utilizar a técnica ensinada nesta página para descobrir como pronunciar essas vogais, aquelas que você não possuía nenhum conhecimento prévio.

Isto conclui a seção sobre as vogais. As noções fundamentais sobre os sons vocálicos foram abordadas e, nesse momento, você tem os conhecimentos necessários para começar a aprender estas vogais desconhecidas, sem que ninguém precise mostrá-las a você.

Como pronunciar as consoantes

Agora é tempo de olhar para as consoantes. Abaixo tem minha própria representação da tabela de consoantes, ou, mais precisamente, da tabela de consoantes pulmônicas.

Ela não lista todas as consoantes, eu deixei de fora as consoantes co-articuladas e as consoantes não-pulmônicas que, talvez, adicionarei mais tarde.

A tabela atual lista quase todas as consoantes pulmônicas. Se há algo que falta ou que é errado, por favor, informe-me.

Aqui está:

Tabela das consoantes do AFI
Clique para ampliar

A fim de aprender como pronunciar estas consoantes no idioma-alvo com as quais você tem dificuldades, você precisará aprender sobre estes dois conceitos: o modo de articulação e o ponto de articulação.

A maioria, se não todas as consoantes possuem, cada uma, um modo e um ponto de articulação.

O primeiro, o modo de articulação, informa sobre a maneira como as consoantes são produzidas; lhe diz qual tipo de movimento você precisa fazer com seu aparelho fonador (lábios, língua, cordas vocais, etc.). Movimentos diferentes levarão a deixar o ar escapar em várias maneiras diferentes.

Por exemplo, para as consoantes nasais, o ar sai do nariz. Para oclusivas, o ar é expulso de uma única vez e ao produzir das fricativas, o fluxo de ar é contínuo, mas parcialmente obstruído.

O segundo, o ponto de articulação não é menos importante. Ele o informa sobre quais partes do seu aparelho fonador usar e onde colocar estas partes. A língua é muito importante, assim examinaremos sua colocação. Contudo, os lábios e a garganta são igualmente importantes para algumas consoantes, então, nós as examinaremos também.

Como você pode ver na primeira tabela da Figura 1 (que eu reproduzi em português acima), as consoantes são classificadas de acordo com seu modo e ponto de articulação.

O título de cada linha é o modo de articulação: Nasal, Oclusivo, Fricativo, Aproximante, etc.

O título de cada coluna representa o ponto de articulação: Bilabial, Labiodental, Dental, Alveolar, etc.

Não entraremos em detalhes de cada um. Aprenderemos sobre eles o suficiente para tornar-se capaz de aprender como pronunciar corretamente quase qualquer consoante, incluindo as do idioma-alvo.

Novamente, eu falei "quase qualquer" porque, tal como as vogais, algumas consoantes possuem características especiais que são representadas no AFI pelos diacríticos, que apenas discutirei brevemente no final desta página.

Vamos começar com os modos de articulação.

Modos de articulação

Esta parte será um pouco difícil explicar porque o falar carioca não possui todos os modos de articulação.

Quando não há exemplos no falar carioca, optarei para uma descrição do modo. E, para alguns modos de articulação, colocarei um exemplo no outro idioma.

Bom, vamos prosseguir de cima para baixo.

Nasais

Primeiramente, tem as consoantes nasais.

A característica distintiva das consoantes nasais é que deixamos ar escapar pelo nariz quando nós as produzimos. Tomemos o [m] e o [n], por exemplo. Elas são duas consoantes que são muito comuns nos idiomas e se encontraram com certeza no falar carioca.

Tomemos uma palavra que começa pela letra M em português como mina

Pronuncie somente a letra M na mina e coloque seu dedo na frente das suas narinas e sentirá ar saindo delas.

Isso indica que há um elemento de nasalidade nessa consoante.

Quando pronunciamos consoantes não-nasais, pode haver um pouco de ar que saia do nariz, mas o fluxo de ar fica mais intenso nas consoantes nasais (e também nas vogais nasais).

Vamos passar às oclusivas.

Oclusivas

O português possui várias oclusivas.

Basicamente, elas são consoantes onde o ar está bloqueado no ponto de articulação para acumular pressão e depois é liberado num instante.

Só é suficiente pronunciar palavras contendo Ts, Bs e Cs e perceberá um único pulso de ar sendo expulsado ao pronunciar destas letras.

Aqui estão algumas palavras para que você possa verificar isso: boca, tu, capa

Sibilância

Sibilância não é um modo de articulação por si mesmo na tabela, mas é algo que caracteriza algumas africadas e algumas fricativas, que veremos a seguir. Consoantes sibilantes são distintas: seu som é mais alto e com maior frequência.

O som com alta frequência é muito semelhante ao ruído de neve na TV. Você só tem que pronunciar um S muito longo e entenderá o que é uma consoante sibilante.

Africadas sibilantes

As africadas podem ser consideradas como uma combinação de dois sons que são pronunciados simultaneamente ou quase. Muitas vezes, nas transcrições fonéticas, os dois sons são juntados por uma ligadura: [ ͡   ].

Nas africadas sibilantes, é normalmente o som que é no lado direito que é sibilante. Veja dois exemplos de africadas sibilantes em português brasileiro: [t͡ʃ] e [d͡ʒ].

O t de tio representa o som [t͡ʃ] e o d de diga é pronunciado [d͡ʒ].

Africadas não sibilantes

Ao contrário das africadas sibilantes, o som no lado direito nas africadas não sibilantes falta sibilância.

O melhor exemplo que eu consegui achar é no inglês de Nova Iorque. Caso você tiver a oportunidade, perceba como eles pronunciam a palavra tooth. O th no final é pronunciado [t̪͡θ]. Tente escutar Adam Sandler falar num filme em inglês.

Fricativas sibilantes

As próximas são as fricativas.

A característica distintiva das fricativas é que, durante a produção delas, você usa seu aparelho fonador para obstruir parcialmente a passagem do fluxo de ar no ponto de articulação, de maneira que apenas algum ar passe.

Obstruindo o fluxo de ar, alguma fricção é produzida entre o ar e seu aparelho fonador que é o que produz este tipo de som distintivo das fricativas.

As fricativas sibilantes são caracterizadas por sons mais alto e com maior frequência que as fricativas não sibilantes. Estes sons são encontrados em palavras como poxa e jogo.

A fim de ouvir bem o som fricativo sibilante, não pronuncie estas palavras inteiramente; pare nas letras em negrito e mantenha o som por um tempo e, então, você poderá ouvir claramente.

Fricativas não sibilantes

As fricativas não sibilantes são as mesmas, exceto que o som não é tão alto e não com frequência tão alta.

Para ouvir esta diferença, compare os sons fricativos sibilantes de poxa e de jogo com o f de fino.

Aproximantes

As aproximantes podem ser consideradas a meio caminho entre as vogais e as fricativas.

Ao produzir de uma aproximante, o ar flui suavemente através do aparelho fonador, fazendo com que muito pouca fricção seja criada.

Aqui estão duas aproximantes no falar carioca: [w], representada, às vezes, por a letra L, e [j], representada por a letra I, normalmente.

Alguns exemplos de palavras com aproximantes no falar carioca são maio e alguém.

Observe o quão suave é o fluxo de ar quando ele passa através do ponto de articulação ao pronunciar destas palavras.

Tepes

Os tepes são semelhantes às oclusivas, mas o tepe é uma curta explosão com pouca acumulação de pressão no ponto de articulação, o que resulta em um tempo de contato que é normalmente mais curto.

Comparado com os tepes, mais pressão é acumulada para produzir as oclusivas, que resulta em uma tendência para que elas tenham um tempo de contato mais longo, especialmente antes que o som seja produzido.

Isto não é possível nos tepes; o contato é tão longo quanto o som em si.

Existe um tepe no falar carioca: o [ɾ].

Pode ouvir este som nas palavras parada e mostra.

Vibrantes

As vibrantes têm quase a mesma característica do que os tepes, mas ao invés de uma única curta explosão no ponto de articulação, ocorre uma série de explosões.

O falar carioca não contém vibrantes, mas se você já ouviu o espanhol, talvez você tenha percebido que alguns de seus Rs são vibrantes.

O exemplo clásico da vibrante em espanhol é encontrado na palavra carro. Ela é representada pelo [r].

O fluxo de ar é mantido por mais tempo ao produzir das vibrantes, em contraste com os tepes.

Laterais

A característica chave das laterais é que o fluxo de ar passa pelos lados (da língua, normalmente) quando são pronunciadas.

Se seu idioma nativo usa o alfabeto latino, é provável que o L nele seja uma lateral.

No falar carioca, o L na posição inicial da sílaba (a menos que esteja seguido pelo H) é representado pelo [l].

Leia a palavra ler e mantenha o fluxo de ar na letra L e você sentirá que o ar passa nas laterais da língua.

Pontos de articulação

Eu lhe darei agora informações sobre os vários pontos de articulação das consoantes nos idiomas.

Para sua comodidade, aqui está a parte da Figura 1 sobre as consoantes:

Tabela das consoantes do AFI
Clique para ampliar

Consoantes vozeadas e desvozeadas

Antes de começar, eu quero chamar a sua atenção para o fato de que cada seção de ponto de articulação na tabela está dividida em duas colunas (não tem linha dividindo as duas colunas, mas pode-se ver claramente que alguns pares de consoantes são visíveis).

Olhando a imagem acima, estas pares são [p] e [b], [f] e [v], [θ] e [ð], etc.

As consoantes em cada par representam, essencialmente, o mesmo som, à exceção de uma diferença crucial; a consoante do lado esquerdo é desvozeada que significa, o que as cordas vocais não são usadas, e a do lado direito é vozeada, o que significa que as cordas vocais são usadas.

Agora, pronuncie os pares de palavras abaixo, mas não as pronuncie completamente; mantenha o fluxo de ar nas letras em negrito de cada palavra, por algum tempo (exceto pelo P e o B pois não é prático).

Você sentirá o contraste entre os dois sons diferentes num par:


falo     valo

chá     já

pê     bê


Como você pode ouvir, se você pronuncia o F de falo por um segundo e depois pronuncia o V de valo por um segundo, você perceberá que as cordas vocais não são usadas para o F, enquanto são usadas para o V. Caso contrário, eles seriam o mesmo som.

Bilabial

As bilabiais são consoantes produzidas usando os dois lábios juntos.

Leia esta palavra em voz alta e perceba como você está usando ambos os lábios para pronunciar as letras em negrito: mapa.

Labiodental

As labiodentais são também simples; são pronunciadas usando o lábio inferior juntamente com os dentes superiores da frente.

Exemplos destes sons no falar carioca são em praticamente qualquer palavra contendo as letras F e V.

Pronuncie a palavra favor e observe o ponto de articulação.

Linguolabiais

As linguolabiais são produzidas ao usar da língua e do lábio superior. Há muito poucas linguolabiais nos idiomas e não conheço nenhum idioma que as possui.

No entanto, eu posso mostrar-lhe como podem ser produzidas. Vamos tentar de pronunciar o som [].

Faça como se você ia falar a letra p. Você perceberá que seus dois lábios são juntados. Agora, substitua seu lábio inferior por a ponta da sua língua, e faça o p deste jeito. O resultado deveria ser a linguolabial [].

Dental

Alguns idiomas possuem consoantes dentais, onde somente a língua e os dentes são usados.

O falar carioca não possui nenhuma consoante dental, mas o inglês possui duas: [θ] e [ð]. As palavras thumb e this possuem, cada uma, uma consoante dental.

Alveolar

O ponto de articulação das consoantes alveolares está situado perto do rebordo alveolar que está entre a parte superior da parte de trás dos dentes superiores da frente e o palato, como pode ver nesta imagem:

Consoantes alveolares

Pronuncie palavras como top e zebra e você sentirá que o som vem da área mostrada na imagem.

Palatoalveolar

As palatoalveolares ocorrem um pouco mais profundo na boca do que as alveolares:

Consoantes palatoalveolares

Existem, pelo menos, duas palatoalveolares no falar carioca e elas são o [ʃ], presente numa palavra como chip e o [ʒ], presente numa palavra como jogo.

De novo, lhe convido a manter o fluxo de ar no som representado pelas letras em negrito de cada palavra para sentir o quão mais profundo elas estão comparadas com as alveolares.

Retroflexo

A característica distintiva das retroflexas é que a língua se enrola um pouco sobre si mesma para produzi-las.

O falar carioca não possui nenhum retroflexa.

Imagine que você faça um T ou um D colocando sua língua um pouco mais pra trás no palato do que normalmente e a enrolando um pouco sobre si mesma. Uma retroflexa é mais ou menos isso.

De fato, se você já tinha ouvido o Apu na série Os Simpsons em inglês, você, provavelmente, tinha o ouvido pronunciar as retroflexas [ʈ] e [ɖ].

Aqui está um curto video dele do YouTube:

Alveolopalatal

É aqui que as coisas ficam um pouco mais complicadas, porque está ficando cada vez mais difícil sentir as áreas na sua boca que são tão profundas.

No falar carioca, de acordo com várias fontes (embora eu nunca tenha conseguido perceber), algumas pessoas usam a consoante alveolopalatal [ɕ]. Aparentemente, os Ss são pronunciados por alguns falantes do falar carioca como o [ɕ] quando o S está precedido por uma vogal numa sílaba, como na palavra ostras.

Por outro lado, têm vários falantes que pronunciam este S como o [ʃ], que não é uma alveolopalatal.

A melhor maneira de mostrar o som [ɕ] para as pessoas que não usam, é de convidar você a pronunciar um som familiar como o ch da palavra chuva e, ao invés de falá-lo normalmente, coloque sua língua um pouco mais profunda no palato. Isso deve assegurar que você pronuncie o [ɕ].

Olhe a imagem abaixo para o ponto de articulação:

Consoantes alveolopalatais

Graças a uma das minha amigas suecas que concordou em gravar sua voz para nos mostrar aquilo que é uma consoante alveolopalatal, aqui está um clipe de áudio dela pronunciando a palavra sueca tjej, que possui a consoante alveolopalatal [ɕ], representada aqui pelas letras tj :

Como pode ouvir, este som é muito parecido com o ch do português.

Palatal

Estamos chegando a uma profundidade na boca onde partes, como a parte de trás da língua, começam a ser usadas para produzir sons. As palatais são produzidas nesta área:

Consoantes palatais

A aproximante [j] encontrada na palavra maior é também uma palatal. Observe que é a parte de trás da língua que entra em contato com o palato ao pronunciar do I nesta palavra.

Velar

O falar carioca possui dois velares que são frequentemente usadas (representadas por K, G, Q e C), então, deve ser bastante simples aprender o ponto de articulação delas. O ponto de articulação é mostrado aqui:

Consoantes velares

Leia a palavra cogumelo em voz alta, possuindo a velar [k], para conhecer o ponto de articulação das velares.

Uvular

Um pouco mais profundamente na boca, se encontra a úvula (a pequena estrutura que pende do topo, ao fundo da boca) que é utilizada para as consoantes uvulares. Aqui está:

Consoantes uvulares

Ao meu conhecimento, o falar carioca não possui nenhum.

Como para as velares, você usa a parte de trás da língua para produzir estas consoantes.

Em vez de usar a parte de trás da língua na mesma profundidade que as velares como a letra C ou G de cogumelo, tente colocá-la um pouco mais profundo na boca para alcançar a úvula.

Felizmente para nós, meu idioma materno, o francês, possui o som uvular [ʁ]. Eu posso então lhe mostrar como ela soa. Aqui está um clipe de áudio meu onde eu leio a palavra roux em francês:

Faríngeo e Epiglotal

Agora prosseguimos ainda mais profundamente na boca para alcançar um ponto onde somente a raiz da língua alcança, pelo menos nos casos típicos.

As faríngeas são produzidas na área delimitada em vermelho:

Consoantes faríngeas

Ainda não estou familiarizado com um idioma que possui consoantes faringeas, mas parece que diversos idiomas da família afro-asiática os possuem.

As faríngeas são pronunciadas, seja com a faringe ou com a epiglote (dependendo da consoante), que estão literalmente na garganta.

Glotal

A glote é ainda mais profunda do que a faringe e a epiglote na garganta. Aqui você pode ver onde as consoantes glotais são produzidas:

Consoantes glotais

No falar carioca, existe pelo menos uma glotal: o [ɦ]. Ele se encontra nas palavras como cachorro e rio.

Outros sons glotais encontrados em outros idiomas, também provém desta área.

Outros símbolos

Outros símbolos do AFI

Finalmente, vamos obter uma visão geral dos outros símbolos do AFI.

Transcrições fonéticas e fonêmicas

Em primeiro lugar, transcrições fonéticas são escritas sempre entre colchetes [ ] e nunca entre barras inclinadas / /.

Dito isto, transcrições entre barras inclinadas são encontradas em toda a web e nos muitos dicionários online.

Tenha cuidado...

Elas não são transcrições dos sons que você ouve; são coisas completamente diferentes que se chamam transcrições fonêmicas.

Tanto quanto eu acho a fonologia fascinante, na minha opinião, usar transcrições fonêmicas não é a melhor abordagem para aprender como pronunciar os sons de um idioma porque você precisa aprender as regras fonológicas deste idioma para tirar sentido destes transcrições.

Acento tônico

Um símbolo que é bastante importante é o [ˈ], que indica o acento primário.

Tem também o acento secundário indicado pelo [ˌ].

Estes símbolos são escritos ao lado esquerdo da sílaba que é tônica, para indicá-la como tal.

Aqui está um exemplo de acento tônico na transcrição fonética da palavra lado, na qual a primeira sílaba, la, é tônica:

[ˈladʊ]

Duração de vogais

A dois-pontos, [ː], é utilizado para indicar que uma vogal é longa.

O português possui vogais longas, mas a duração de vogais não é usada para distinguir as palavras. O inglês, contudo, a duração de vogais é normalmente indicada nas transcrições fonéticas.

Então aqui está um exemplo de uma palavra com uma vogal longa em inglês:

feel [ˈfiːɫ]

Tons

Os tons são um assunto bastante complexo para entender se você não fala uma língua tonal, mas é muito importante saber como ler/escrever os tons se você estiver aprendendo um idioma que os possui, como o mandarim ou o tailandês.

Nas transcrições do mandarim, eles são tipicamente indicados pelo escrever do "contorno" ao lado direito da sílaba na qual o tom é aplicado.

Como pode ver na Figura 1 em inglês, os "contour tones" são símbolos como [˧˥] e [˥˩].

Diacríticos

Finalmente, os diacríticos são pequenos símbolos (alguns são letras) que são usados para atribuir característica distinta a um som fonético.

Os diacríticos podem ser escritos em vários lugares possíveis ao redor de um caractere fonético.

Nas transcrições fonéticas básicas, o uso deles é limitado, mas são ainda importantes em alguns casos, então, pode consultar a Figura 1 para saber o que eles indicam, quando necessário.

Conclusão

Bem, isto conclui esta página sobre como pronunciar usando a fonética.

Podem parecer muitas informações a assimilar, mas saiba que o campo da fonética é vasto e que lhe forneci aqui algumas noções básicas, bem como algumas técnicas, permitindo melhorar sua pronúncia em qualquer idioma.

Você não precisa memorizar nada; precisa apenas entender os conceitos e saber que, enquanto você estiver aprendendo o idioma, sempre poderá voltar nesta página e ler novamente as noções pertencentes a este idioma.

Também, sempre pode me fazer perguntas sobre a fonética que vou tentar responder da melhor maneira que eu puder.